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Pessoas

A última semana de Abril e estas três primeiras semanas de Maio foram muito estranhas. Quatro semanas em que quase nada deu certo, não apenas para mim, mas para todos a minha volta também.

Como se não bastasse, vem o frio para piorar, o mau-humor aumenta. Talvez fosse TPM... passa o tempo, o mau-humor não. Cobro das pessoas aquilo que eu acho que elas deveriam fazer, o que certamente não acontece, e o mau-humor aumenta, as palavras já não são mais tão sutis e delicadas. E é mais irritante saber o quão irrante posso ser. Amigos me perdoem... não costumo ser assim.

Pequenas coisas vão se acumulando, começo a pensar que o universo conspira contra mim: por que o maldito motorista do ônibus - tento escapar dele, mas às vezes não tem jeito - pára o busão 20m a frente do ponto, como se eu tivesse dado sinal em cima da hora??? O que ele pensa que é? Sempre faz isso... é perseguição? Não tenho nada a ver com o mau-humor e problemas dele... pois é... as pessoas também não tem nada a ver com meu mau-humor. Eu sei.

Dane-se, na hora não penso em nada disso, caminhando de forma calculadamente lenta até a porta, ao som do acelerador que ameaça me deixar pra trás, passo e repasso em minha mente a lista de todos os palavrões que conheço. Coloco no rosto minha melhor cara de "morra FDP", confesso que sem muito esforço, e subo no ônibus. Covarde! Nunca tem coragem de me fitar... Sento-me e encaro-o pelo retrovisor... Covarde! Desvia o olhar.

Que merda... como odeio depender de ônibus: desconforto, aperto, funcionários e passageiros mau-educados. É impressionante... como as pessoas podem ser tão insuportáveis a ponto de nos afetarem tanto? Fico remoendo a situação, isso não pode ficar assim. Talvez faça uma queixa na SPTrans. O ônibus vai enchendo, enchendo. Pessoas entram, pessoas saem, pessoas tocam suas vidas, pessoas mau-humoradas, pessoas cansadas, pessoas falantes, pessoas gentis, pessoas educadas, pessoas com sono, pessoas com pressa.

Olho pela janela, pessoas vão e vêm, homens, mulheres, jovens, velhos, crianças. A vida caminha, o mundo gira. Centro de São Paulo. Largo do São Francisco. O homem da banca de frutas belisca a bunda do amigo, que salta e sai correndo atrás do "agressor". O rapaz que distraidamente esbarra nas pessoas que esperam na calçada para atravessar a rua, ao continuar caminhando, enquanto vira o rosto para analisar a bunda moça. É impressionante... como as pessoas podem ser tão engraçadas a ponto de arrancar sorrisos de uma mau-humorada qualquer - que também está apenas tocando a vida, da maneira que pode e consegue - que as observa da janela de um ônibus lotado sem ser percebida?

Só tenho a dizer que as pessoas são imprevisíveis, instáveis e estranhas. E como isso é fascinante. Pensando bem, andar de ônibus, desde que vc consiga um lugar para sentar, de preferência na janela, pode ser muito interessante. Pessoas são interessantes. Chatas, mau-humoradas, bonitas, esquisitas, gentis. Interessantes.

Desço no ponto final. Terminal Pq. Dom Pedro II. Páro de divagar. A vida continua.

:: Postado por Mari às 16:29
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